ETEc Trajano Camargo: uma história em construção
Trajano de Barros Camargo nasceu em Limeira, no dia 15 de março de 1890, filho do Cel.Flamínio Ferreira de Camargo e de D.Cândida Virgínia de Barros. Dos 10 filhos do casal, Trajano era o sexto. Estudou, em São Paulo, no Colégio Buarque e no Seminário Episcopal e, no secundário, na Escola Americana. Formou-se, em 1909, com 19 anos, na Escola de Engenharia do Instituto Mackenzie, atual Universidade Presbiteriana Mackenzie. No início do ano seguinte, ingressou na University of Wisconsin, na cidade de Madison, WI, nos Estados Unidos, para fazer um curso de especialização em Mecânica Industrial. Participou, como flautista da Orquestra Sinfônica dessa universidade.
O Dr. Trajano de Barros Camargo, no dia 30 de janeiro de 1914, constituiu em Piracicaba, com dois sócios, Abelardo Aguiar de Souza e Antonio Augusto de Barros Penteado, seu cunhado, a empresa “Souza Penteado e Cia” para a produção de máquinas para beneficiamento de café. Com a saída do primeiro sócio, a indústria, já com a denominação de “B. Penteado & Cia”, foi transferida para Limeira, em 1917. No início dos anos 20, ao perceber que atirando o grão de café contra a parede provocava a liberação da casca do grão, Trajano Camargo concebeu o primeiro descascador de café por impacto do Brasil. A criação foi tão importante para a indústria nacional que deu ao Dr. Trajano o prêmio maior da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro, oficialmente aberta em 07 de setembro de 1922 e encerrada na primeira semana de julho de 1923. Na década de 1920 foi grande o crescimento da indústria, o que atraiu profisssionais de cidades vizinhas. A Machina São Paulo tinha mais de 600 empregados. Alguns deles, com o estímulo do Dr. Trajano, fundaram oficinas e fábricas do ramo mecânico-metalúrgico na cidade. A sociedade com Antonio Augusto de B. Penteado foi desfeita. A necessidade de mão de obra para a indústria explica, talvez, em parte, a criação na Machina S.Paulo, de cursos de carpintaria e de montagem de máquinas para os filhos maiores de 12 anos dos funcionários. Assim, os aprendizes produziam para a fábrica e aumentavam a renda familiar. Na Machina S.Paulo, antes mesmo da legislação trabalhista, expressa na Constituição Federal de 1934, o Dr. Trajano de Barros Camargo oferecia a seus empregados benefícios como férias, assistência médica familiar, participação nos lucros, incentivos à evolução de carreira e gratificação na produção conforme desempenho. Mandou construir, para seus operários, 48 pequenas casas na Villa São Paulo, uma quadra delimitada pelas ruas Tiradentes, Humaitá, Carlos Gomes e uma rua sem nome (hoje Tenente Belizário) e adquiriu 11 casas pequenas na Villa Sant’Anna, na quadra delimitada pelas ruas Visconde do Rio Branco, Alferes Franco, 1º de Março (atual Presidente Roosevelt) e Humaitá.
Dona Therezinha, como era conhecida, assumiu a direção da empresa e enfrentou tempos difíceis. No início da década de 60, a indústria encerrou suas atividades.
A origem da ETEC “Trajano Camargo” Em 1909, o Presidente da República Nilo Peçanha criou, em cada uma das capitais dos estados, uma escola de aprendizes artífices, destinada a ministrar o ensino profissional primário gratuito para os “desfavorecidos da fortuna”. No estado de S.Paulo foram instaladas duas escolas na cidade de S.Paulo e algumas no interior. Posteriormente, Armando de Salles Oliveira, interventor federal, imprimiu maior impulso ao ensino dos ofícios ao criar cursos ferroviários e núcleos de ensino profissional em Rio Claro, Jundiaí, Campinas, Bauru, Pindamonhangaba, São Paulo e Cachoeira. Estabeleceu ainda um regime de cooperação entre o Estado e as Municipalidades. E Limeira, em visível processo de industrialização, com D. Maria Thereza Silveira Mello de Barros Camargo no cargo de prefeito da cidade, criou uma escola profissional pelo Ato Municipal 39, de 05 de setembro e 1934. A escola denominada “Escola Profissional Mixta Primária de Limeira”, adotaria os mesmos programas e orientações das escolas profissionais oficiais, com quatro cursos técnicos – Mecânica em Geral, Carpintaria, Puericultura e Corte e Confecções em Geral. Eles poderiam ser diurnos ou noturnos. E, anexos à escola, funcionariam dois cursos de alfabetização – masculinos, femininos ou mistos - para menores ou adultos. O ato de criação estabelece que haveria um diretor-professor, dois professores para Português, Geografia, Aritmética, História e Educação Cívica; um mestre mecânico, acumulando as funções de mestre de desenho, um mestre ajudante mecânico, um mestre marceneiro, uma mestra de costura em geral acumulando funções de inspetora almoxarife, uma mestra ajudante de costura acumulando funções de mestra de desenho, uma mestra de economia doméstica; um porteiro, um escriturário-guarda livros, dois serventes, um médico pediatra, uma educadora sanitária formada pelo Instituto Profissional Feminino e um servente. O diretor seria nomeado pelo governador do estado, mas pago pela Prefeitura Municipal. E os mestres e auxiliares deveriam ser diplomados pelos cursos de aperfeiçoamento dos Institutos Profissionais da capital, selecionados por concurso de notas de diplomas. Na falta de profissionais com essa titulação seriam aceitos os “diplomados mais distintos pelas escolas profissionais secundárias.” A Escola Profissional Mixta Primária “Dr. Trajano Camargo” funcionou de 1934 a 1939, num sobrado pertencente ao espólio do Dr. Trajano, na esquina da Rua Barão de Cascalho com a Rua Tiradentes. A Machina São Paulo doou as primeiras máquinas e recebeu os alunos para as aulas práticas. A duração dos cursos da escola profissional municipal era de dois anos, no período da tarde, todos os dias, inclusive aos sábados, com aulas de Mecânica, Marcenaria (para os alunos), Corte e Confecção, Economia Doméstica (para as alunas), e, para ambos, Português e Matemática. Nas aulas de Puericultura as alunas preparavam mingaus para as crianças cadastradas que eram atendidas pelo médico pediatra. O curso noturno funcionava às segundas, quartas e sextas-feiras, com aulas de Alfabetização – um professor e uma professora, aulas de Corte e de Desenho Técnico. Relatos na imprensa escrita evidenciam que a escola teve participação efetiva na comunidade e que em 1939, contava com 20 funcionários - corpo docente e administrativo e que, apesar da instalação precária que não permitia grande montagem, obteve em cinco anos uma produção de 21:000$000 (vinte e um contos de réis), aproximadamente, concedeu certificado de conclusão do curso profissional primário a 91 alunos de ambos os sexos e alfabetização para 200 alunos. E por que a escola “morreu”? O decreto nº 9422, de 17 de agosto de 1938, transferiu para o Estado os encargos da Escola Profissional Municipal Mista Primária “Dr. Trajano Camargo”, de Limeira. Entre outras providências, manteve, em caráter precário, todos os funcionários administrativos e docentes e igualou os seus vencimentos aos dos funcionários das escolas profissionais primárias estaduais. As razões alegadas, nos “considerandos”, afirmam que a escola não estava mais preenchendo as finalidades técnicas educacionais exigidas pelas atividades agrícolas, industriais e comerciais da cidade e da respectiva região; que a Prefeitura Municipal não dispunha de recursos necessários para assegurar o funcionamento da escola até fins de 1939, quando seria extinta e substituída por uma escola profissional de pomicultura e enologia; que a Prefeitura Municipal forneceria ao Estado o prédio e todos os móveis, máquinas, utensílios e acessórios existentes na escola. Inegavelmente, a escola Dr. Trajano Camargo, enfrentava dificuldades, como a escassez de professores e de mestres, de instalações adequadas e de maquinaria, a evasão escolar, reveladas pela imprensa ou por documentos oficiais. Todavia, além das questões econômicas, ou ao lado delas, pode ser colocada uma questão de natureza política, as rivalidades político-partidárias, evidentes em outras oportunidades, entre Da. Maria Thereza de Barros Camargo, do Partido Constitucionalista, e o Major José Levy Sobrinho, do Partido Republicano Paulista, prefeito da cidade por ocasião do decreto de agosto de 1938, que extinguiu a escola. Assim, Limeira ficou sem a sua escola profissional primária, sem a pretendida escola profissional secundária e sem a prometida escola profissional agrícola e industrial. Anos mais tarde, o Decreto-lei nº 14.385, de 19 de dezembro de 1944 transformou a Escola Profissional em Escola Industrial “Trajano Camargo”, subordinada à Superintendência do Ensino Profissional da Secretaria da Educação e Saúde Pública, inicialmente com os cursos de Mecânica de Máquinas, de Fundição e de Máquinas e Instalações Elétricas. Sua organização e regime deveriam obedecer os fixados pela Lei Orgânica do Ensino Industrial (Decreeto-lei Federal nº 4073 de 20 de janeiro de 1942). A Prefeitura Municipal de Limeira doou à Fazenda do Estado de São Paulo, em abril de 1946, um terreno com a área de cinco mil, setecentos e sessenta metros quadrados (5.760 m²), no valor de oitenta mil cruzeiros (Cr$ 80.000,00) para a construção de prédio para a Escola Profissional Industrial. Em síntese: a atual ETEc ‘Trajano Camargo” tem origem na Escola Profissional Mista Primária de Limeira, criada em setembro de 1934, extinta por decreto em 1938, renascida em 1944 e oficialmente inaugurada no dia 17 de maio de 1953. O governador do estado era Lucas Nogueira Garcez, o prefeito da cidade, o empresário Virgínio Ometto e o diretor da escola, prof. Creso Assumpção Coimbra. A pesquisa sobre a década de 1950 está para ser retomada dentro de algum tempo. Um levantamento, preliminar e incompleto, revelou alguns dados sobre as transformações na vida da Escola Trajano Camargo, em décadas posteriores, tais como: - em janeiro de 1956, funcionavam os cursos de Mecânica de Máquinas e Fundição e cursos extraordinários para Ajustadores e Torneiros Mecânicos e Desenho Técnico Mecânico. - em junho de 1958, foram inauguradas, oficialmente, as oficinas montadas pelos professores Lourenço Schimidt e Odécio Lucke. - em 1960, o curso feminino teve início, com a conclusão das obras do prédio da entrada principal, situada na Rua Tenente Belizário. - em 1965, a Escola Industrial passou a se chamar Ginásio Industrial “Trajano Camargo”. - em 1967, o prédio abrigou, até 1973, o Colégio Técnico e Industrial de Limeira, da Universidade Estadual de Campinas (COTIL), com o curso de Máquinas e Motores e, em 1969, o curso de Edificações, tanto quanto o curso de Engenharia Civil de Limeira. Este foi, mais tarde, transferido para o campus da Unicamp, em Campinas. - em 1974, teve início o 2º grau profissionalizante, com uma classe de 1ª série do 2º grau do curso de Metalurgia. - em 1975, a escola “Trajano Camargo” contava com mais de 2.000 alunos no 1º grau e no 2º grau profissionalizante, além de 72 professores e 35 funcionários administrativos. Foi autorizado o funcionamento de uma classe de Eletromecânica, uma de Economia Doméstica e uma de Desenhista de Ferramentas e Dispositivos. - em 1976, foi criado o curso de Nutrição e Dietética. - em 1978, a Resol. nº 11 de 27/01/78 (D.O.E. 0102/78) manteve as habilitações de Técnico em Metalurgia, Técnico em Eletromecânica, Técnico em Economia Doméstica, Técnico em Nutrição e Dietética e de Desenhista de Ferramentas e Dispositivos. - em 1979, foi autorizado o funcionamento dos cursos pré-profissionalizantes de Alimentação e Nutrição, Artes Aplicadas, Desenho Técnico Mecânico, Mecânica Geral, Vestuário e Têxteis no Centro Estadual Interescolar (CEI) ”Trajano Camargo”. - em 1980, foi autorizada a instalação das Habilitações Profissionais Parciais de Auxiliar Técnico de Eletromecânica, Auxiliar Técnico de Mecânica, Auxiliar Técnico de Metalurgia e Auxiliar em Nutrição e Dietética. E a Resol. SE de 28/07/80 (D.O.E. 29/07/80) transformou, a partir de 11/02/80, o CEI “TC” em EESG “TC”. - em 1982, a EESG foi transformada em EEPSG, com a criação de 6 classes de 1ª a 4ª série e implantado o Centro de Iniciação ao Trabalho – CIT (núcleo de pré-profissionalização), com aulas de Mecânica Geral, Corte e Costura, Alimentação e Nutrição, ministradas no Serviço Social do município. Funcionou desse modo por mais de 10 anos. - em 1984, incorporação da EEPG “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo”, cujo prédio passou a ser ocupado pelo museu e pela biblioteca municipal. A Resol. 345 de 10/12/84 resolveu adequar à Delib. CEE 29/82 e Resol. SE 2236/83 a Habilitação Profissional Plena de Decoração, de Eletromecânica, Mecânica, Metalurgia, Nutrição e Dietética e a Habilitação Profissional Parcial de Mecânica e de Desenhista de Ferramentas e Dispositivos. - em 1985, foi criada uma classe de educação especial para deficientes mentais. - em 1986, o Centro de Iniciação ao Trabalho foi vinculado à EEPSG “Trajano Camargo”. - em 1987, foram iniciadas as habilitações plenas de Secretariado e de Química e Auxiliar de Laboratório de Análises Químicas. - em 1988, aos 35 anos de existência, a escola contava com 1º grau profissionalizante - 362 alunos nos cursos de Mecânica Geral, Desenho Técnico, Artes Aplicadas; com 2º grau – cerca de 1.000 alunos nos cursos técnicos de Eletromecânica, Metalurgia, Mecânica, Desenho de Ferramentas e Dispositivos, Nutrição e Dietética, Química e Secretariado. - em 1990, foi autorizada a instalação de cursos de 2º grau, e a EEPSG “TC” foi transformada em EESG “TC”, e integrada às Escolas Técnicas Estaduais com o nome de Escola Técnica Estadual de 2º Grau “Trajano Camargo”. - em 1991, a ETESG “TC” foi transferida da Secretaria da Educação para a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico (Decreto nº 34.032 de 22 de outubro de 1991, D.O.E. de 23/10/91), a partir de 1º de janeiro de 1992. - em 1993, a ETESG tinha 1.350 alunos e cerca de 80 professores; houve a introdução do período integral – o curso diurno com 8 horas de aula e duração de 3 anos e o curso noturno com 5 horas de aula e duração de 4 anos. Com recursos próprios adquiriu 12 computadores e introduziu a disciplina Introdução à Informática. O curso de Eletromecânica foi substituído pelo de Eletroeletrônica e mantidos os demais cursos de Metalurgia, Mecânica, Secretariado, Nutrição e Dietética. O Decreto nº 37.735, de 27/10/93 (D.O.E. 28/10/93) autorizou a transferência das Escolas Técnicas Estaduais para o Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”, a partir de 1º de janeiro de 1994. - em 1994, com 41 anos, contava com 1.256 alunos e 76 professores. A partir de 31/5/94 e seu nome foi alterado para Escola Técnica Estadual “Trajano Camargo” (ETE “TC”). - em 1995, inauguração do laboratório de Metrologia e Produção Mecânica. - em 1996, foi autrorizado o funcionamaento do curso regular da habilitação profissional plena de Técnico em Eletroeletrônica na ETE “TC”; e de classes do Programa de Qualificação e de Requalificação Profissional, Fundação de Apoio à Tecnologia - FAT/ CEETEPS, até 1999. - em 1997, foi autorizada a instalação e o funcionamento da habilitação profissional plena de Técnico em Mecânica. Este foi o último ano das habilitações plenas, a partir da introdução do ensino modular, ou seja, do ensino técnico em 3 ciclos ou 3 semestres, após a conclusão do ensino médio, ou em concomitância com ele, a partir do 2º ano. - em 1998, o Parecer 105/98 do Conselho Estadual de Educação (Processo CEE 831/97, D.O.E.02/04/98) deliberou sobre a implantação do Ensino Médio nas unidades escolares do CEETEPS. Foram assim criadas 3 classes de 1º ano no Ensino Médio, antigo 2º grau. - em 2000, foram inaugurados dois novos laboratórios de Química e um de Pneumática. - em 2001, houve a implantação, a partir do 1º semestre de 2001, do curso Técnico em Turismo. - em 2002, iniciada a reforma do prédio pelo governo federal, a qual consumiu cerca de 8 meses; estava em funcionamento o curso pós-técnico em Química, na área de galvanoplastia, denominado Tratamento de Superfície, com o propósito de formar técnicos para as fábricas de jóias. Entre 2002 e 2003 funcionaram classes do Programa Profissão, FAT/CEETEPS, com os cursos de Auxiliar Administrativo e Financeiro e Auxiliar de Laboratório, para concluintes do ensino médio, objetivando ampliar as condições de empregabilidade dos jovens. - em 2003, no seu Jubileu de Ouro, a escola contava com 37 classes, 1.359 alunos, 65 professores, 20 funcionários e oito cursos em funcionamento: Ensino Médio, Administração, Eletroeletrônica, Nutrição e Dietética, Mecânica, Metalurgia, Química e Turismo. Diretores
Fontes CARDOSO, João Augusto. Dr. Trajano: Cem anos de história dedicada a Limeira. Limeira, Folheto: Troféu Fumagalli 1995. Limeira. Depoimentos de ex-alunos da Escola Profissional Mista “Dr. Trajano Camargo”: Sr. Alfredo O Vagalume. Collegio Santo Antonio. Limeira. Abril de 1930, anno III, nº 22.
Marlene Aparecida Guiselini Benedetti |
|
| Etec Trajano Camargo Rua Tenente Belizário, 439 - Centro CEP: 13480-120 - Limeira - SP Telefone: (19) 3441-8838 |